Cartilha do Educador

Autor: Administrador,  06/08/2013

Transtono de Ansiedade de Separação

Autor: Administrador,  06/08/2013

CRIANÇAS E ADOLESCCENTES DISRUPTIVOS

Autor: Maria Genelva Almeida Costa,  06/07/2013

O termo disruptivo já causa impacto, imagine conviver com crianças e adolescentes cujo comportamento é marcado  por atos antissociais, como agressão, desobediência, oposição e desconsideração por pessoas e coisas alheias.

Para a Associação Psiquiátrica Americana essas violações enquadram-se em quatro amplas categorias: agressão, destruição de propriedades, defraudação ou furto, e séries de violação de regras.  São comuns as intimidações, brigas, crueldade física com pessoas e animais, roubo, provocação de inocente, mentira, roubo, vandalismo, atividade sexual precoce entre outros comportamentos.

Segundo McClure e Friedberg, o transtorno desafiante opositor é caracterizado por um padrão persistente de desafio, desobediência e hostilidade para com pais, autoridades, professores etc. Sinais específicos de transtorno desafiante opositor incluem discussão e brigas crônicas, acessos de raiva, altos níveis de irritabilidade/contrariedade, caráter vingativo/rancoroso, desobediência, teimosia e hábito de culpar os outros pelos seus próprios atos.

Antes da puberdade, a prevalência é maior em meninos depois ficam equivalentes. Os meninos demonstram mais agressividade do que as meninas, nelas a culpa e o medo inibem.            É comum elas não encontrarem motivação para mudar, pois são arredias a tratamento. Portanto, envolvê-las  no tratamento é a tarefa principal. Estabelecer um bom relacionamento com essas crianças é fundamental. A confiança e o respeito são essenciais, como também o estabelecimento de limites, esses devem ser objetivamente consistentes. Outro aspecto importante para o terapeuta é a flexibilidade, quando necesária na imposição dos limites, sem isso poderá ocorrer lutas de poder indesejadas.

Em relação aos pais, quando fica hostil e crítico, a relação complica-se. Os pais não devem perder o comando da autoridade . Uma das técnicas para os pais  mandarem os filhos fazem algo que gostem é a recompensa pela obediência.  Essa técnica melhora o clima familiar e os pais praticam o comando da obediência.  Outra técnica recomendada é elogiar por obediência espontânea. Os pais também devem diferenciar questões negociáveis e inegociáveis.

Outra coisa legal é ajudar as crianças a monitorar seus próprios pensamentos, sentimentos e comportamentos, podendo fazer um diário sempre que se sentirem irritadas e agir agressivamente.  É importante  enfatizar que é normal sentir raiva, mais não é permitido agir agressivamente.  Ensiná-la a resolver problemas é outra tarefa importante que requer flexibilidade. Essas crianças tem dificuldade de empatia pelo outro. Autores recomendam  usar filhotes de animais para desenvolver empatia , exceto se ela for cruel com animais.

É importante levar a criança a refletir se o que ela fez foi de propósito ou sem querer. Usar metáforas facilitam o uso de técnica de autoinstrução. Elas não param para pensar, o uso de jogos que levem a refletir é recomendado, além de fazer perguntas como “O que você acha de parar e pensar sobre isso?”. Trabalhar com essas crianças é frequentemente um processo longo, é importante fazer uso de múltiplas estratégias de tratamento.

 
Bibliografia – FRIEDBERG, Robert D e McCLURE, Jessica M. A prática clínica de terapia cognitiva com crianças e adolescentes, Porto Alegre, Artmed, 2008.

DEFICIÊNCIA POSTURAL E DIFICULDADE DE APRENDIZAGEM

Autor: Maria Genelva Almeida Costa,  20/05/2013

Segundo Travassos e colaboradores (2012) existem dois tipos de dislexia: a do desenvolvimento e a adquirida. A primeira afeta muitas criança aparentemente normais, verificando-se que o potencial intelectual, a idade e maturação são desproporcionais ao desempenho escolar em uma ou mais habilidades receptivas ou expressivas  leitura, escrita ou matemática).

Os autores fazem referência que a dislexia apresenta múltiplas causas, por exemplo as hereditárias, de etiologia neurológica acometendo o lobos  temporais e parietais, corpo caloso, cerebelo, estando envolvido o sistema visual magno celular. Citam ainda outros autores que fazem referência à presença de distúrbios da propriocepção e alteração do esquema corporal.

O sistema proprioceptivo recebe informações dos sensores distribuídos no corpo (pele, planta dos pés, músculos e articulações, mucosas, língua, sistema visual, auditivo e equilíbrio). É responsável pela percepção e processamento das informações complexas, e devido aos diversos setores corporais que podem estar afetado o quadro clínico pode ser variado.

A escola portuguesa classificou sinais e sintomas musculares, vertiginosos e cognitivos caracterizando a Síndrome da Deficiência Postural como:

  • Acorda cansado com se não tivesse dormido.
  • Dificuldade de se concentrar; disperso nos estudos.
  • Parece não ouvir bem. Pergunta muito “ham? O quê?”
  • Troca letras, inverte letras, sílabas e números (em espelho)

Segundo o exposto, é importante uma avaliação multiprofissional para investigar o multiplicidade de sinais e sintomas que podem estar presentes.

 

Referências:

VENTURA, Liana, TRAVASSOS, Simone B., SILVA, Orlando Alves & DOLAN, Margarida.  Dislexia. Editora Cultura Médica, RJ, 2012

DISLEXIA E DISTURBIO DE APRENDIZAGEM

Autor: Maria Genelva Almeida Costa,  28/12/2012

Patrick Droste, oftalmologista dos EUA, considera dislexia como um problema de saúde pública. Para ele é um problema neurológico. O aluno dislexo pode ser brilhante, mas incapaz de ler ou reconhecer letras. Alerta que um dos fatores de risco é quando a criança apresenta dificuldade para desenhar. Para o diagnóstico, ele recomenda exame psicomotor, oftalmológico, dificuldade de atenção, quociente intelectual, linguagem e maturidade emocional. Nos Estados Unidos, uma lei federal,  torna obrigatória fazer avaliação específica.

Saliento que quanto mais fonema existe na língua, mais chance de ocorrer dislexia. Na língua inglesa existem 44 fonemas. Os chineses tem mais chance de ter dislexia. Os portadores desse transtorno possuem um mal funcionamento nos lobus occipital e temporal. Liliana Ventura complementa afirmando que nenhuma teoria por si responde a esse complexo transtorno que atinge 15%  das pessoas de todo mundo.

Porque o aluno tem dificuldade em aprender? Para Abram Topczewki, neuropediatra, aprendizagem diz respeito à capacidade de receber estímulos, armazenar e em algumas ocasiões resgatar as informações para fazer alguma tarefa. Isso requer várias situações como integridade do sistema nervoso central, podendo receber e responder aos estímulos, ter audição e visão funcionando. Precisa ter integridade do olfato, gustação etc. Todo aprendizado depende de uma motivação, estado emocional e atencional.

O insucesso de aprendizagem tem várias causas determinantes: deficiência sensorial, deficiência mental, doenças sistêmicas, epilepsia, TDAH, dislexia. Alguns medicamentos podem levar a dificuldade de aprendizagem. Existem medicamentos eficientes para doenças, mas leva a dificuldade de memorização.

O problema de dislexia é muito antigo. Desde 1817, Adolfo Kussmel já a denominava como cegueira visual. Em 1896, Pringle a denominou como cegueira verbal. Dislexia é uma questão antiga e uma polêmica atual cuja prevalência varia entre 7 a 10%

Existem alguns fatores determinantes como a hereditariedade:  se um dois pais possuir dislexia, a chance é de 40%, se ambos possuírem, 80%.

Comorbidade: TDAH (30%), TODA (70%), depressão, ansiedade, TOC, enurese, enxaqueca, consumo de substância tóxica.

Para dislexia não existe remédio, exceto quando existe comorbidade. Porém nunca devemos pecar por omissão. Para o psiquiatra Marcelino Bandim, pode ocorre comorbidade, e as principais são: TDAH, Transtorno Desafiante Opositor, Transtorno de Conduta, Transtorno Bipolar Transtorno de Ansiedade. TDAH e dislexia podem chegar a 40%. Esse dado é heterogênio devido à população e ao instrumento metodológico.

Margarida Dolan, pedagoga da Inglaterra, alerta que um dos grandes problemas diz respeito à propriocepção. É a propriocepção que nos permite saber sem olhar a localização do nosso corpo. Qual a distancia entre o corpo e aquilo que nos rodeia. Em 1932, Sherrington, foi o inventor do termo propriocepção, ou seja, conhecimento de mim. A propiocepção não tem haver com uma parte do corpo. É um sentido global porque nos permite saber as partes do corpo e os estados dos músculos. Propiocepção é o primeiro sentido, os demais dependem dele.

A oftalmologista Márcia Reis informa que o teste da visualização de letras é bom, porém não é suficiente. Cerca de 80% da informação do ambiente passa pela visão. Déficit do processamento visual terá impacto no modo como aprendemos. A imagem se forma no cérebro. O desempenho visual é multidimensional: occlomotricidade, visão de cores, resolução temporal, atenção visual, identificação simultânea de objetos em locais distintos.

Mas como medir visão funcional, sensibilidade ao contraste: profundidade, textura, campo visual. Teste psicofísico inclui processamento visual. Problemas de aprendizagem e visão não são captados pelo teste AV (6 metros) embora seja importante.

  • Fatores visuais da leitura: refração, controle do foco, coordenação, movimentos oculares (busca ou procura), processamento visual, integração sensorial.
  • Déficit central do processamento visuo-espacial: distorções da imagem, ilusão sensorial, vertigens, dificuldade ou incapacidade de formar imagens. Geralmente associado ao déficit no processamento auditivo.

DISLEXIA E SÍNDROME DE IRLEN

Síndrome de Irlen – alteração visuo-perceptiva de causa neurológica associada à alteração do processamento visual na via magnocelular. Existem graus: formas leves e mais graves.

Disfunção magnocelular visual – causa fotossensiblidade, dificuldade de leitura, restrição do campo visual periférico, cefaleia, dificuldade em manter atenção, dificulade de captação de contraste (competição entre letras e fundo).

É importante lembrar que 1/3 dos casos de dislexia tem síndrome de Irlem. Uso de transparência é de extrema importância.

Referência: Congresso Internacional de Dislexia. Recife. Nov/2012

FESTAS INTANTIS

Autor: Maria Genelva Almeida Costa,  26/12/2012

festa

Uma festa infantil deve agradar primeiro o aniversariante depois os pais. Cláudia Passos alerta que em cada fase de vida as expectativas mudam como por exemplo:

Primeiro ano- Deve ser num ambiente familiar, na própria casa, no salão de festa do prédio ou na casa da vovó. Limite a lista de convidados a familiares e amigos com filhos pequeno. Para os bebês, instale colchonete coloridos, longe de móveis perigosos. Use brinquedos que estimulem os sentidos. Música baixinha. Muito cuidados com os balões. Duas horas é mais que suficiente, mais do que isso pode irritar o aniversariante.

Dois anos- Invista num espaço mais amplo, a criança já se locomove com segurança, use  piscina de bolinhas por exemplo. A festa pode ter tema. “Dê preferência a personagens que a criança conheça. O evento pode durar até quatro horas. Importante pensar um espaço para um cochilo dos pequenos convidados ou do próprio aniversariante.

Três e quatro  anos- A criança já tem discernimento suficiente para participar das brincadeiras em grupo e se concentrar nas atividades propostas. Contadores de histórias, mágicos, recreadores podem ser contrastados para animar o evento.SE for incluir palhaço o ideal é que as crianças acompanhem a maquiagem do artista para não se assustarem quando aparecer. Nessa idade quanto mais espaço melhor.
Cinco anos em diante- Bufês infantis viram ótima opção, a criança não se atordoa com os muitos estímulos simultâneos, como os brinquedos, a musica e as máquinas de fliperama etc. Convide amigos adultos mas não se esqueça dos coleguinhas de escola do seu filho.

DIFICULDADES DE APRENDIZAGEM (II)

Autor: Maria Genelva Almeida Costa,  10/12/2012

Entendemos aqui aprendizagem como um processo complexo, que além de envolver o desejo, a relação com o outro, também envolve um organismo e um corpo. Emocionalmente falando dizemos que não aprendemos de qualquer um, mais daquele a quem ortogamos confiança e afeto.

Mas como adquirimos conhecimento do ambiente que nos rodeia? O estímulo ambiental é captado pelos órgãos dos sentidos. Dolan* afirma que a informação captada é usada no controle de movimentos, na regulação dos órgãos internos, e na manutenção do estado de vigília. Os captores levam a informação para o córtex sensorial. O córtex motor implementa ações e o hipocampo é responsável pela integração multissensorial e espacial dos eventos, e sua sequência temporal. O córtex somatossensorial recebe informações dos músculos e articulações que confirmam que ações individuais foram levadas a cabo.

Aprender exige a coordenação da intenção, planejamento e execução. Essas funções exigem a articulação com sintonia do corpo e do cérebro. Dolan* complementa: cada parte do cérebro interage constantemente com outras partes do cérebro. Os sentidos cooperam com estruturas profundas do cérebro para criar padrões neuronais que combinam a entrada de todos os sentidos. Isso é necessário para criar percepções multissensoriais e para aprender e conseguir lembrarmo-nos destas percepções.

Diante dessa complexidade, entendemos que se ocorrer uma disfunção proprioceptiva, o processamento sensorial da informação pode ser afetado. Existem quatro tipos de processamento: codificação, consolidação, armazenamento e recuperação. Existe dois processos importantes de codificação, primeiro receber a informação e depois fazer a integração do que é novo com o que já está bem estabelecido.

A consolidação envolve a estabilização da informação recente codificada para que possa ser armazenada a longo prazo. Depois o armazenamento, onde a informação é guarda ao longo do tempo.

Uma disfunção sensorial pode afetar o processamento sensorial e consequentemente afetar o processo de codificação, consolidação, armazenamento e recuperação da informação.

O desejo que foi referido anteriormente tem haver com prazer, essa sensação está associada com a produção de substância química no cérebro como dopamina e oxitocina. Essa ultima está relacionada com o processo de relaxamento e formações de novas memórias. Aprender com satisfação libera a dopamina e oxitocina que podem resultar em impressões fortes e na vontade de repetir essas situações. Por outro lado, tensões prolongadas e estresses crônicos  poderão trazer graves problemas de saúde. Crianças que vivem em estresses crônicos podem ficar hipervigilantes e interpretar eventos novos como perigosos, consequentemente evitam aprender.

Estresse, cansaço, desconforto têm impacto no rendimento escolar. Dolan* comenta que quando as crianças estão muito tempo lendo, escrevendo e copiando estão comprimindo áreas do corpo levando à diminuição do fluxo sanguíneo comprometendo a nutrição. A tendência é ficar irrequietas e mesmo hiperativas, muitas vezes são castigadas e/ou medicadas.

 

Sugestões

  • É importante lembrar que a evocação/recuperação das palavras é mais forte quando se mostram imagens dos objetos correspondentes à palavra, é bem melhor do que dizer somente a palavra.
  • ransformar a hora de estudar em momentos prazerosos.
  • Após períodos prolongados sentados, é conveniente dá uma paradinha, esticar os braços e pernas, relaxar os ombros e fazer rotação nos pulsos.
  • Apoiar as crianças a opinarem e explicar que errar faz parte do processo de aprendizagem.
  • A criança deve aprender a fazer análise de boa postura, e a importância da respiração abdominal.
  • Ensinar as crianças a partilharem seus conhecimentos.

 

* Trabalho apresentado durante o Congresso Brasileiro de Dislexia e distúrbios de aprendizagem – Recife/2012

DIFICULDADES DE APRENDIZAGEM

Autor: Maria Genelva Almeida Costa,  09/12/2012

Aprendizagem é um processo complexo, que envolve vários fatores como: um corpo (esse construído na interação com o outro), um organismo, ou seja o aparato genético, a inteligência e o desejo. Os dois últimos estão transversalizados.

O corpo envolve vários aspectos e é necessário como, por exemplo, um equilibrio sensorial, postura corporal, integridade dos órgãos sensoriais e outros. E por falar em postura, vamos discutir esse tema.

Margarida D. Heitor descreve a Síndrome de Deficiência Postura, como “devido a múltiplos fatores, condicionado, sobretudo, pela vida sedentária, pela atividade física descontrolada, pelo trabalho monótono e repetitivo e pela mecanização de uma civilização industrial, multiplicam-se os defeitos posturais do homem moderno. A adoção sistemática de posturas incorretas acaba por perturbar a noção inata do esquema corporal e obriga uma tentativa de reformulação desse mesmo esquema. O afastamento inconsciente da biomecânica ideal provoca uma nítida alteração do equilíbrio tônico postural, conduzindo a uma percepção errada do esquema corporal”. Também ocorre alteração do sistema proprioceptivo. Nas alterações respiratórias, o diafragma e os músculos intercostais não exercem bem sua função, limitando os movimentos de inspiração e expiração.

Segundo Heitor, devemos ter alguns cuidados como:

  • Bolsa: utilizar a alça transversalmente no tronco, ao invés de ficar apoiada em um só ombro.
  • Mochila: Alongar a alça de modo que fique apoiada sobre as nádegas e usar sempre as duas alças sobre os ombros. As mochilas com rodinha aparentemente resolve o problema, porém a criança é obrigada a fazer com o tronco uma rotação assimétrica que poderá causar algum problema. As alças devem serem rígidas ajudando a transpor a carga para zona sacral e presa com uma cinta na parte abdominal.
  • O sentar: Ao sentar deve-se ter um apoio plantar par os pés, ficando totalmente apoiados.
  • Leitura e escrita: devem ser executadas sobre um plano inclinado de 30º.
  • Computador: o monitor deve ser inclinado 5 a 8º para trás.
  • Jogo videogames: Evitar jogar em sofá. É aconselhável sentar em um banco baixo apoiando braços e pernas para manter a coluna ereta.
  • Prática respiratória diariamente.

Referência: Congresso Brasileiro de Dislexia e distúrbios de aprendizagem. Recife/2012

SINAIS DE RISCO MÃE/BEBÊ – PREVENÇÃO DA SAÚDE MENTAL

Autor: Maria Genelva Almeida Costa,  28/11/2012

Andre Green, psicanalista  francês, que faleceu em janeiro de 2012, chama atenção para as consequências da falta de investimento afetivo materno. Talya Candi retrata a clínica do vazio, especificamente a ausência materna a qual chamou “Síndrome da mãe morta”.

A mãe morte, não estamos aqui falando da morte concreta, mas da desinvestida devido o afastamento afetivo da figura materna. Essa falta de interesse materno poderá levar a pessoa a apresentar apatia diante do mundo externo e identificar-se com a mãe enlutada, desorganizada. Esse desinvestimento provocará a constituição de um buraco na relação com a figura materna e se repetirá posteriormente na incapacidade do sujeito estabelecer e sustentar relações afetivas satisfatórias. A identificação inconsciente com a mãe, por sua vez, tornará a criança passiva, como se estivesse “sem vida”, em um mundo interno impregnado por um luto interminável, sem manifestação depressiva palpável, o que parece outorgar uma vivência concreta ao negativo, ao vazio, ao nada.

Ao arrancar o afeto da criança, a mãe morta não se deixa esquecer, por tanto não pode ser substituída. A falta de vitalidade materna deixará a criança dependente, à espera do retorno de um objetivo vivido apenas de maneira idealizada. Ela é o vazio que aniquila e boicota, qualquer iniciativa de satisfação. Ela é ausente. Green chama atenção da importância da vitalidade da mãe, da relação mãe-bebê.

Baseados nessas afirmações de Green podem dizer que os profissionais na sua prática devem ao atender uma mãe:

  • Colocar um espaço para as mães falarem de sua própria infância.
  • Representações mentais que a mãe tem sobre o seu bebê
  • Se o bebê não está bem, preparar essa mãe
  • Os alicerces para essa construção estão: Olho no olho, olhar com desejo, tocar e ser tocado – massagear, sorrir – gesto, imitação
  • Seja qual for à especialidade do profissional, esse deve funcionar como a boa avó, mais do que interpretar é compreender essa gestante.
  • Intervir o mais precoce abre e cria possibilidade no rumo á montagem do aparelho, visando assegurará as condições necessárias para que haja saúde mental. Chamamos aqui de saúde mental um processo complexo e permanentemente atualizado. Intrinsecamente ligado ao orgânico, incluindo agravos, risco s e dor.

É através dos atos clínicos que o profissional ajudará a construir a singularidade do caso a caso, que possibilitará a reabertura de caminhos para a estruturação subjetiva.

Lembrar fatores psicossociais:

  •  Maus tratos da mãe quando criança
  • Abandono por um dos pais
  • Desejo materno de engravidar
  • Desejo paterno de ter um filho
  • Tentativa de aborto
  • Tempo de aleitamento exclusivo
  • Depressão pós-parto
  • Doenças depressivas na família
  • Grau de depressão da mãe
  • Interação mãe bebê durante a amamentação
  • Uso de álcool, fumo, ECT
  • Pai presente, cognitivo do bebê melhora.

Lembrar que a criança

  • Fotografa os olhares do cuidador
  • No 8ª mês começa a saber o que é próximo ou não.
  • A memória se desenvolve, surge o apego internalizado.
  • Criança
  • Precisa ser adotada, acolhida, falada, ninada (ninho)
  • Indicadores clínicos – sinais de organizados psíquicos.
  • Observar como está o laço
  • Bebê dirige os olhares em direção à voz da mãe- 1º mês
  • Olha o rosto da mãe -1º mês
  • Fixa o contato olho no olho da mãe até o 2º mês
  • Acomoda-se ao colo -1º mês
  • Sorriso intencional a partir do 3º mês
  • Capacidade de antecipação – joga os bracinho em direção aos cuidadores, antecipando ser tomado no braço.
  • Atende ao próprio nome 6º a 9º mês
  • Aponta coisas com os dedinhos – a partir dos 8º mês
  • Estranha rosto diferente – a partir do 8º mês
  • Criança precisa de toque. O toque gera apego, menor prevalência de depressão no futuro e maior bem estar físico e psicológico, mais competência social.
  • Respeitar as emoções da criança. O modo como o adulto reage as emoções da criança é um fator importante. Ignorar ou minimizar com frequência poderá  provocar ansiedade e depressão no futuro. Reagir com raiva poderá contribuir para problemas de comportamento externalizante.
  • O brincar- a brincadeira favorece a linguagem, a compreensão de regras sociais, a interpretação de papéis etc.
  • Estimular a inspiração nasal.

 

Sinais de risco:

  • Verifica-se através dos organizadores
  • Não são preditivos, são indicativos
  • Alteração do tônus
  • Atraso no desenvolvimento psicomotor e na fala
  • Alteração no ganho de peso
  • Ausência de balbucio
  • Transtorno do sono e alimentação
  • Evitação do rosto e voz da mãe
  • Olha fixo (teto, fonte de iluminação)
  • Não vocalizam com as mães
  • Não se acomodam ao colo
  • Congelamento -  longo lapso de tempo sem mexer nenhum músculo.
  • Privação do sono – Existem evidências que durante o sono o padrão de funcionamento cerebral é alterado e que esse período é essencial para a regulação de hormônios , tendo papel fundamental em funções de aprendizagem, crescimento e regulação do estado de humor. A alteração em padrões de sono pode sinalizar alguns transtornos mentais como por exemplo o transtorno do humor. Mirmiram e colaboradores (1983) salientam que a privação de sono em estágios iniciais de desenvolvimento parece estar relacionado com sérios problemas comportamentais.
  • Falta de limites na infância é um grave fator de risco. O limite tem uma função estrutural na constituição psíquica do sujeito. Costa (2005) saliente que a falta de limites pode gerar alguns sintomas como ansiedade, baixa tolerância a frustração. O excesso também é prejudicial, o desafio é encontrar a medida certa. A excessiva flexibilidade nos limites pode estar associada a diminuição na capacidade de resiliência. Também a imposição sem explicação não ajuda o indivíduo a internalizar os limites.

Por fim o profissional deve manter uma presença afetiva real, reservada, clara, mas presente. E pode ser considerado como uma pano de fundo pulsante que ajuda a manter a vida psíquica.

BIBLIOTERAPIA PARA OS PAIS

Autor: Administrador,  12/11/2012

CONHECENDO E LIDANDO MELHOR  O MUTISMO SELETIVO
(acapeixoto@uol.com.br)

O mutismo seletivo é um transtorno de ansiedade infantil, caracterizado por uma incapacidade que a criança tem em falar em algumas situações, como por exemplo, na escola. Essas crianças compreendem a linguagem e são capazes de falar com toda normalidade em lugares onde se sentem seguros e confortáveis. O fato de não falar em determinadas situações não significa que estão querendo chamar atenção ou controlar a situação, o grau de ansiedade que sofrem estas crianças os inibe totalmente de falar. Normalmente eles apresentam dificuldade em olhar nos olhos e tem dificuldade em sorrir. A percepção dessas crianças é que estão sendo observadas constantemente, por isso seus movimentos ficam paralisados como estátua cada vez que se olha para elas.  O mutismo é um transtorno aparentemente raro, sendo encontrada em menos de 1% dos indivíduos vistos em contextos de saúde mental.

Mais de 90% das crianças com mutismo seletivo sofrem de fobia social. A fobia social é um medo persistente em lidar com situações nas quais devem participar ou interagir socialmente. As crianças que são acometidas do mutismo possuem uma inteligência preservada. Geralmente, o mutismo surge antes da idade de cinco anos (fase pré-escolar). o grau de persistência varia de poucos a muitos anos de persistência. As pesquisas indicam que a doença pode ter uma melhora com o tempo e que algumas vezes pode desaparecer espontaneamente. Em outros casos, os sintomas de ansiedade podem se tornar crônicos chegando a gerar uma fobia social grave, por isso o tratamento é indicado.

A etiologia encontra suas bases em três pilares: (1) herança genética, a maioria das crianças que sofrem do mutismo apresentam uma predisposição genética a experimentar sintomas de ansiedade que é exacerbada por condições estressantes ou hostis; (2) traços de temperamento, como: timidez, preocupações excessivas, evitação social, medo, retração social, apego e negativismo e (3) interações familiares, de longe, há um consenso de que o mutismo é mantido principalmente, na presença de características familiares, tais como: relação simbiótica, dependente e controladora entre mãe e filho; mães solitárias, deprimidas, hostis, passivas, que se preocupam em excesso e evitam situações sociais.

Alguns comportamentos estão associados com o mutismo, são eles: enurese, encoprese e relutância em fazer determinadas atividades, como as que envolvem expressão corporal.

O tratamento psicológico mais eficaz para o mutismo é considerado o cognitivo-comportamental. Este tratamento envolve a família, escola e paciente. É considerado curto, em relação a outras formas de atendimento, e envolve técnicas que auxiliam a criança aumentar seu comportamento verbal na presença de professores, alunos e estranhos. Outros transtornos podem se apresentar em conjunto com o mutismo.

Abaixo, estão algumas estratégias de encorajamento para as crianças emitirem um comportamento verbal:

  • A criança não deve ser forçada a falar;
  • Elaborar inicialmente formas alternativas de comunicação através de símbolos, gestos ou cartões;
  • Não permitir que outras pessoas respondam por ela;
  • Solicitar gradualmente a exposição oral da criança;
  • Reforçar a criança todas as vezes que houver um aumento no comportamento verbal da criança. O tipo de reforço precisa ser de preferência da criança (elogios, doce preferido…);
  • Elaborar metas para serem alcançadas junto com a criança e elaborar um plano de ação dentro das possibilidades que ela possui;
  • Encorajá-las sempre que possível, fazer pequenas solicitações ou cumprimentos a pessoas estranhas. Ex. ir comprar pão, comprar jornal…;
  • Evitar que seu filho seja o centro das atenções;
  • Identificar a compatibilidade com algum amigo para jogar e brincar com a criança algumas vezes dentro e fora de casa;
  • Utilizar a dessensibilização sistemática. Por exemplo, usar um reforço quando a criança sussurrar uma palavra e gradualmente aumentar a exposição até a criança dizer uma palavra em volume normal para algum estranho.

BIBLIOTERAPIA PARA OS PROFESSORES

Autor: Administrador,  12/11/2012

CONHECENDO MELHOR O MUTISMO SELETIVO
(acapeixoto@uol.com.br)

O mutismo seletivo é um transtorno de ansiedade infantil, caracterizado por uma incapacidade que a criança tem em falar em algumas situações, como por exemplo, na escola. Essas crianças compreendem a linguagem e são capazes de falar com toda normalidade em lugares onde se sentem seguros e confortáveis. O fato de não falar em determinadas situações não significa que estão querendo chamar atenção ou controlar a situação, o grau de ansiedade que sofrem estas crianças os inibe totalmente de falar. Normalmente eles apresentam dificuldade em olhar nos olhos e tem dificuldade em sorrir. A percepção dessas crianças é que estão sendo observadas constantemente, por isso seus movimentos ficam paralisados como estátua cada vez que se olha para elas.  O mutismo é um transtorno aparentemente raro, sendo encontrada em menos de 1% dos indivíduos vistos em contextos de saúde mental.

Mais de 90% das crianças com mutismo seletivo sofrem de fobia social. A fobia social é um medo persistente em lidar com situações nas quais devem participar ou interagir socialmente. As crianças que são acometidas do mutismo possuem uma inteligência preservada. Geralmente, o mutismo surge antes da idade de cinco anos (fase pré-escolar). o grau de persistência varia de poucos a muitos anos de persistência. As pesquisas indicam que a doença pode ter uma melhora com o tempo e que algumas vezes pode desaparecer espontaneamente. Em outros casos, os sintomas de ansiedade podem se tornar crônicos chegando a gerar uma fobia social grave, por isso o tratamento é indicado.

A etiologia encontra suas bases em três pilares: (1) herança genética, a maioria das crianças que sofrem do mutismo apresentam uma predisposição genética a experimentar sintomas de ansiedade que é exacerbada por condições estressantes ou hostis; (2) traços de temperamento, como: timidez, preocupações excessivas, evitação social, medo, retração social, apego e negativismo e (3) interações familiares, de longe, há um consenso de que o mutismo é mantido principalmente, na presença de características familiares, tais como: relação simbiótica, dependente e controladora entre mãe e filho; mães solitárias, deprimidas, hostis, passivas, que se preocupam em excesso e evitam situações sociais.

Alguns comportamentos estão associados com o mutismo, são eles: enurese, encoprese e relutância em fazer determinadas atividades, como as que envolvem expressão corporal. O tratamento psicológico mais eficaz para o mutismo é considerado o cognitivo-comportamental. Este tratamento envolve a família, escola e paciente. É considerado curto, em relação a outras formas de atendimento, e envolve técnicas que auxiliam a criança aumentar seu comportamento verbal na presença de professores, alunos e estranhos. Outros transtornos podem se apresentar em conjunto com o mutismo.

È provável que a escola seja o ambiente mais difícil para a criança com mutismo seletivo, já que tanto o professor quanto os alunos, esperam que todos participem da mesma forma e quando isso não acontece, gera uma certa atenção a quem não participa. Isto parece até uma ironia, pois gera o que a criança com mutismo menos deseja: que a atenção recaia sobre ela. Então, no que se refere à escola, é de extrema importância que esta tenha uma perspectiva totalmente compreensiva e receptiva, já que o objetivo principal é fazer todo o possível para que essas crianças se sintam confortáveis e relaxadas.

Algumas estratégias devem ser usadas pelo professor para auxiliar o tratamento, incluem:

  • Permitir que a criança se comunicasse não-verbalmente, no início, para depois utilizar a comunicação oral;
  • Não permitir que outros respondam por ela;
  • Solicitar gradualmente a exposição oral da criança;
  • Se possível colocar as mesas em forma de grupos;
  • Reforçar positivamente interações sociais faladas ou não;
  • O tipo de reforço precisa ser de preferência da criança (elogios escritos, verbais…);
  • Reforçar qualquer tentativa de enfrentamento de situações interpessoais e ir ampliando progressivamente as exigências;
  • Encorajá-las sempre que possível, fazer pequenas solicitações ou cumprimentos a pessoas estranhas. Ex. pegar ou entregar material fora de sala.
  • Os professores devem sempre que possível tentar iniciar conversas fora da presença de outras pessoas, devem tentar também, não colocar a criança como sendo o centro das atenções, pois isso aumenta a ansiedade da criança;
  • Não estabelecer comparações com outros companheiros;
  • Os professores podem utilizar o quadro abaixo como uma referência para planejar suas atividades com as crianças;
  • Não permitir que os demais colegas o insultem, intimidem ou riem dele(a);
  • Estimular e envolver os colegas para que o ajudem e para que participem nas sessões de intervenção.

METAS

INTERVENÇÕES ESPECÍFICAS

Diminuir a ansiedade
  • A criança não deve ser forçada a falar;
  • A relação com os outros alunos deve ser encorajada;
  • Uma ênfase menor na performance verbal deve ser dada.
Aumentar a comunicação não-verbal
  • Elaborar inicialmente formas alternativas de comunicação através de símbolos, gestos ou cartões;
  • A criança deve ser colocada em situações com pequenos grupos;
  • O relacionamento entre os amigos deve ser facilitado.
Aumentando interação social
  • Identificar a compatibilidade com algum aluno para jogar e trabalhar com a criança em algumas metas fora da escola;
  • Trabalhar ainda com pequenos grupos;
  • Utilizar atividades que não requeiram habilidade verbal;
  • Utilizar atividades que encorajam habilidades sociais
Iniciando e/ou aumentando a comunicação verbal
  • Planejamento estruturado de modificação comportamental: reforçamento positivo para comportamentos de comunicação e interação, reforçamento eventualmente para linguagem;
  • Utilizar a dessensibilização sistemática. Por exemplo, usar um reforço quando a criança sussurrar uma palavra e gradualmente aumentar a exposição até a criança dizer uma palavra em volume normal.

A Linguagem e Autonomia de Pensamento

Autor: Maria Genelva Almeida Costa,  15/06/2012

Resumo

Para o sujeito aprender quatro aspectos se entrelaçam: inteligência, organismo, desejo e o corpo. O desejo do filho é influenciado pelo dos pais. Quando os genitores acreditam e desejam esse filho, como sujeito pensante, autônomo, estará construindo um espaço fecundo para aprendizagem da língua escrita e falada. Todavia, quando eles não suportam que a criança pense diferente dele, poderá acarretar problemas, no que se refere à autonomia de pensamento, linguagem falada e escrita.

Palavras chaves: linguagem, autonomia, pensamento e aprendizagem.

Abstract

For the subject learning four aspects are necessary: intelligence, organism, desire and the body. The child´s desire is influenced by the parents. When the parents believe and desire this child, as a autonomous subject that may think, they will be constructing a fruitful place for spoken of the written and said language


A psicanálise se ocupa com o sujeito que deseja, a psicopedagogia com o sujeito que aprende e a epistemologia genética com aquele que conhece.

É nessa articulação que buscamos entender a criança, junto a esse terreno onde acontece a ensino-aprendizagem. Num processo de aprendizagem então entrelaçados o organismo, a inteligência, o corpo e desejo.

Em se tratando de linguagem, se faz necessário duas figuras: alguém que ensina e alguém que aprende, nesse processo os pais são as primeiras figuras  na construção dessa matriz. Quando os pais acreditam no filho e desejam esse filho como sujeito pensante, torna-se ai em espaço fertilizado para que essa criança venha aprender, especialmente a linguagem.

A inexistência de uma escuta por parte do pai/mãe, um ataque a autonomia de pensamento, poderá acarretar na criança em vários danos entre eles oligotimia (falsa oligofrenia).

Alícia Fernandez, em um dos seus discursos em Porto Alegre, mostrava alguns aspectos ainda que não suficiente para uma criança aprender a falar:

  1. Construir uma significação por parte dos a partir dos pais, de ter um filho  que possa ser diferente deles.

  2. Os pais construam uma significação e o filho  possa pensar e enunciar uma opinião, um argumento que o torna original e que determine um corte com ela;

  3. Manter uma escuta, interpretando dando sentido à expressão corporal  sonoro do filho mesmo antes que ele aprenda a falar.

  4. O filho pode falar, porque foi e continua sendo falado pelos pais.

  5. A criança pode falar pelo prazer que encontra ao descobrir que pode calar e, nesse silêncio,, continuar pensando.

  6. Um espaço possiblitador que permita a criança descobrir a sua autonomia de pensamento e a possibilidade que essa palavra lhe dá e mostrá-la  ou escondê-la

Permitir que a criança fale, que possa mostrar uma autonomia de pensamentos depende muito do adulto, porém desse adulto inserido na sua história.

A linguagem escrita, também tem sua matriz no seio familiar, pois é essa instiuição que primeiro instala a modalidade de ensino aprendizagem. Essa modalidade deverá propiciar uma autonomia de pensamento de tal maneira que possibilita a criança aprender a escrever. Digo escrever para diferenciar de registrar. Torna-se conveniente pontuar, que nem todo registrar e escrever, porém todo escrever implica em registrar. Para  a criança escrever é necessário que ela se autorize registrar sua própria palavra.

Alícia Fernandes também aponta para alguns aspectos necessários ainda que não suficiente para aprender a escrever:

  1. Significação, a partir do ensinante, de uma criança que possa ser deferente dele.

  2. Significação, a partir do ensinante dessa criança que possa pensar e enunciar uma opinião, um argumento que o torne original e questione a palavra do ensinante.

  3. Um escuta que dê sentido a expressão escrita, e veja o erro não como falta, mas como etapa construtiva e necessária.

  4. A criança pode escrever pelo prazer que encontra  ao descobrir sua autoria.

  5. A criança pode escrever pelo prazer que encontra ao poder estar presente em sua ausência. Por esse motivo Freud chamou a “a linguagem do ausente”.

Por tanto a “violência secundária patogênica”, terno usado por Piera Aulagnier, é aquela onde os pais não suportam que o pensamento da criança se diferencia do seu, poderá acarretar danos a autonomia de pensamento a linguagem falada e escrita.

Epidemiologia em Saúde Mental Infanto-Juvenil

Autor: Maria Genelva Almeida Costa,  13/06/2012

Segundo dados do IBGE censo 2010, o Brasil possui 5566 municípios, desses apenas 45% tem uma população acima de 100 mil habitantes. Em Alagoas, dos 102 municípios, somente Arapiraca atingiu esse patamar. Esses dados vem confirmar que o critério da legislação atual para implantação de CAPSI não contempla um percentual muito alto da população brasileira. Dessa forma, devem, os municípios, construir seus próprios dispositivos para atender essa população.

Para Zavaschi (2009), no Brasil, os serviços de saúde para a população infanto juvenil oferecem diferentes modalidades de tratamentos de acordo com as necessidades específicas de cada criança. Aqueles que apresentem algum tipo de patologia do desenvolvimento, que seja de caráter leve e moderado e que respondem satisfatoriamente aos diferentes recursos terapêuticos de intervenção devem ser tratadas em ambulatórios. Afirma Zavaschi: “Em relação às patologias familiares, são utilizadas terapias familiares específicas em atendimento aberto, nos postos da rede de saúde”.

Todavia existe um segmento dessa população que evidencia transtornos emocionais graves, que expõe riscos de morte ou agressão a si mesmo ou a outras que necessitam de tratamento , em ambiente seguro, protetor e terapêutico. Zavaschi e colaboradores (2009) afirmam que estudo de saúde mental em crianças e adolescentes é relevante. Todavia, ainda são precários os que procuram identificar o perfil epidemiológico dessa população. Segundo as autoras, o estudo pioneiro dessa ordem foi feito no Hospital das Clínicas de Porto Alegre/ CAPSI, com uma amostra de pacientes cujas idades variavam e 5 a 20 Anos. No período de agosto/2000 a abril 2006 foram obtidos os seguintes resultados: 63,4% tinham idade entre 5 a 14 anos. Os motivos que levaram a busca de atendimentos variaram: 30,7% por problemas alimentares; 28,9% agressividade; 28,1% agressão e 12,3% dificuldades escolares. Em termos de diagnóstico, o transtorno alimentar ficou no patamar de 36,4%, transtorno de humor 30%, TDAH 12,7%, TOC 10,9 %, Transtorno de conduta 6,4% e abuso sexual 3,6%.

Um percentual de 79,6% da população atendida usou psicofármacos como antidepressivo, antipsicóticos, estabilizador do humor e anticonvulcivante, vale ressaltar que 20,4% apresentaram alterações no eletroencefalograma.
O atendimento foi multiprofissional , e devido à gravidade dos casos foi necessário avaliação de várias especialidades como: neurologista, geneticista, endocrinologista, pediatra, ginecologista e outros. Nesse CAPSI o atendimento predominante foi do sexo feminino devido aos transtornos alimentares.

Zavaschi e colaboradores (2009) afirmam que o CAPS é um recurso de atendimento infanto-juvenil gravemente comprometido do ponto de vista psíquico. Esses geralmente são impossibilitados de estabelecer laços familiares e sociais, e com muitas dificuldades de freqüentar escola. Os transtornos psiquiátricos acometem 12% dessa população e pelo menos metade dessa porcentagem apresentam comprometimento grave ou incapacitante.

Estudo realizado por COSTA (2005), em um CAPS 1 em Maceió, encontrou um percentual de 59,40% das crianças que procuraram os serviços de saúde mental apresentaram uma desorganização na estrutura familiar (história de abandono paterno, adoção etc.) Dessas, 12,5% perderam a convivência com a família biológica. Esse dado é muito significativo segundo Glenn (1996): “A criança adotada porta consigo um risco muito maior de desenvolver um distúrbio emocional que uma criança consanguínea (p340)”. Para ela, a incidência de adotados entre todos os tipos de pacientes psiquiátricos varia de 15 a 30%. Dentro desse universo, 21,90% apresentavam problemas de ordem neurológica e psiquiátrica (deficiência mental, seqüelas neurológicas, autismo e atraso global do desenvolvimento).

Comparando esse estudo com uma pesquisa realizada em um CAPS no interior do estado de Alagoas em 2008 por COSTA E SURUAGY, que teve como objetivo uma consulta transversal em prontuários, mostrou que 79,5% receberam o diagnóstico de retardo mental; 6,5% transtorno de conduta e 5,2% transtorno específico da fala.

Almeida Filho (1985) salienta que a prevalência de transtorno mental na infância é estimada em 23%. Desses, 10% são considerados leves e duvidosos não necessitando de assistência especializada. A categoria de transtorno neurótico e psicossomático recebeu o percentual de 15,2% de retardo mental, transtornos orgânico-cerebrais com 2,5%, transtorno do desenvolvimento 1,6% e outros 1,2%.

Moraes (2011) apresentou pesquisa realizada em Campinas/ São Paulo sobre dificuldade escolar e transtornos psiquiátricos, e encontrou que 64% dessa crianças não apresentavam nenhum transtorno psiquiátricos, apenas 16% tinham algum problema psiquiátrico e 20% tinham síndromes genéticas e retardo mentais.

COSTA (2005a) estimou que de 10 a 20% da população de crianças e adolescentes sofrem de transtornos mentais, e aproximadamente 3 a 4% necessitam de cuidados intensivos. Dessa população, os diagnósticos mais freqüentes são: deficiência mental, autismo, psicose infantil e os transtornos de ansiedade. Ultimamente, o uso de substâncias psicoativas vem aumentando consideravelmente.

É importante salientar que segundo a Organização Mundial de Saúde o abuso sexual é um dos maiores problemas de saúde pública. Esse episódio pode desencadear vários sintomas psiquiátricos, psicopedagógicos e emocionais. DORIA e colaboradores (2011) afirmam que estudos em diferentes partes do mundo sugerem que 7-36% das meninas e 3-29% dos meninos sofreram de abuso. Acredita-se que no Brasil o percentual seja o mesmo. Especificamente em Curitiba, dados da Rede de Proteção às Crianças e Adolescentes mostram que de todos os casos notificados até 2011, 17,6% foram referentes a violência sexual . Nos Estados Unidos, em estudos retrospectivo, 27% das mulheres e 16% dos homens reconheceram terem sidos violentados sexualmente na infância., cuja prevalência para implicações clínicas afetaram de 4-8% da população.

Doria e colaboradores (2011), no mesmo estudo, descrevem que a prevalência dos transtornos de ansiedade na infância e adolescência varia de 8 a 27%, os transtornos de ansiedade generalizada de 2,7 a 4,6% e as fobias específicas de 2,4 a 3,3%. A prevalência de fobia social fica em torno de 1% e o transtono do pânico de 0,6%.

Um problema que vem crescendo atualmente e tomando vulta considerável para saúde pública são o bullying e cyberbulling. Os estudos são restritos principalmente no Brasil. Li (2006) realizou uma pesquisa com 264 alunos no Canadá, e encontrou que um a cada quatro alunos revelaram já terem sido vítimas de cyberbullying, e cerca de 50% conheciam alguma vítima, 17% afirmaram ter praticado ao menos uma vez. As vítimas tanto de cyberbulling como de bullying podem apresentar problemas psiquiátricos e/ou psicológicos.

Conclui-se esse estudo observando que não existe uma convergência nos estudos apresentados, essa divergência pode ocorrer pela falta de padronização entre os estudos, por condições sociais/educacionais e econômicas de cada município, e também pela formação do pesuisador.

Discussão

No CAPSI do HCPA/UFRGS foi evidenciado um alto percentual de transtornos alimentares, dado esse que não coincide com estudos em Maceió cujo percentual ficou em 3,03%.

Sobre o percentual encontrado por Almeida Filho (1985) parece não coincidir mais com a situação atual. Na Jornada Cenep 2011, em Curitiba, chegaram a estimativa da Síndrome de Asperher de 1/110 crianças.

Não foi encontrado em nenhum estudo dados que se assemelhasse aos de um CAPS 1 do Interior de Alagoas, onde quase 80% das crianças que procuraram o serviço receberam o diagnóstico de retardo mental, consideramos esse percentual muito alto. Necessitando de maior investigação para a existência de co-morbidades.

Apesar dos estudos apontarem para o problema do abuso sexual na infância e adolescência como uma questão de saúde pública, ainda é pouco discutido nos serviços de saúde mental. Assim como o bulling e cyberbullyng, os estudos são escassos no nosso país e na saúde mental não são evidenciados.

Bibliografia

  1. ALMEIDA Filho N. Epidemiologia das desordens mentais na infância no Brasil.Salvador. Centro Editorial e didático da UFBA, 1985
  2. ZAVASCHI,Maria Lucrécia Scherer e colaboradores .Crianças e adolescentes Vulneráveis.Porto Alegre, Artmed,2009.
  3. GUNSKI,Roselene,DALPIAZ,Sônia, VERDI, Marcelo Spalding.Cenas da Infância Atualk.Ijuí/RS editora Unijal, 2006.
  4. VALIATI,Márcia Regina Machado Santos,BROMBERG,Maria Cristina,ANTONIUK,Sergio Antonio e RIECHI,Tatiana Izabele Jaworki de Sá. Desenvolvimento da Criança e do Adolescente. Curitiba,Íthala, 2011
  5. HABIGZANG, Luíza F. e Koller, Sílvia H.Violência contra crianças e adolescentes. Porto Alegre, Artmed, 2012.
  6. COSTA, Maria Genelva Almeida. A relação pai-filho (a) e os sintomas psicológicos na infância. Dissertação/UFAL, 2005.
  7. Anais do XXI Congresso Brasileiro de Neurologia e Psiquiatria Infantil, MORAES, Cesar São Paulo,2011
  8. COSTA E SURUAGY .Estudo comparativo entre famílias residentes na capital e em uma cidade interiorana de Alagoas, 2008
  9. COSTA,Humberto Caminhos para uma política de saúde mental infanto juvenil-Ministério da saúde- Brasília-DF, (2005a)

Sobre a Autora

Maria Genelva Almeida Costa é Psicóloga, Graduada em Serviço Social, Mestra em Saúde da Criança, especialista em Saúde Mental Infanto-Juvenil, Deficiência Mental e Psiconeurofisiologia da estimulação precoce. Supervisora Clínica Instituicional do Minstério da Saúde.

Adolescentes grávidas: Níveis de Estresse.

Autor: Maria Genelva Almeida Costa,  01/06/2012

As informações abaixo foram apresentadas no XX CONGRESSO NACIONAL DA ABENEPI, em São Paulo junho de 2011, na modalidade pôster. A pesquisa recebeu o apoio da FACULDADE DE MEDICINA (FAMED) e da UNIVERSIDADE FEDERAL DE ALAGOAS (UFAL). Sendo realizada pelos seguintes pesquisadores: Ascanio Cavalcante, Divanise Suruagy Correia, Layse Velloso, Maria Genelva Costa, Maria Angélica Telles, Maria Jesia Vieira

Introdução: Estresse, termo usado inicialmente por Seyle1, em 1936, é uma resposta do corpo a qualquer demanda que o force a adaptar-se a mudanças. Na área da saúde estuda principalmente, a dinâmica dos mundos objetivo e subjetivo e suas adaptações às diversas contingências do viver2.

Objetivo: Identificar o nível de estresse em adolescentes grávidas assistidas pelo SUS em Maceió.

Método: Estudo quantitativo, transversal, descritivo, que usou como instrumentos um questionário socioeconômico e levantamento de estresse de Lipp3. A mostra foi composta por adolescentes grávidas, atendidas em 11 Unidades de Saúde e 2 Maternidades Escolas, campos de estágio para estudantes universitários da saúde em Maceió, em 2010. Foram excluídas do estudo as adolescentes com patologias mentais e patologias orgânicas graves. Os dados foram analisados com os recursos do Programa Epi Info.

ResultadosEstudou-se 140 jovens, apenas 34,3% afirmaram ter desejado a gravidez, 8,6% já havia praticado o aborto e 61,2% vivia maritalmente com o pai da criança. Em relação ao número de gravidez a maioria era primípara e se concentrava na faixa socioeonomica C e D. Quanto à educação a maioria tinha o nível de ensino fundamental completo. Do total 80,71%, apresentavam algum grau de estresse e as maternidades foi local onde houve mais grávidas com estresse. Adolescentes que apresentaram sinais de estresse se distribuíram nas fases de alerta (5%), resistência (57%) e exaustão (19%).

Quadro 1 - Distribuição das adolescentes pesquisadas por idade e fase de estresse. Maceió, AL, 2010.
Idade
(emanos)
Fases do estresse encontradas no estudo
Semestresse
Alerta
Resistência
Exaustão
Total
n
%
n
%
n
%
n
%
11
-
-
-
-
1
100,0
-
-
1
13
1
20,0
2
40,0
2
40,0
-
-
5
14
2
20,0
4
40,0
2
20,0
2
20,0
10
15
5
19,2
1
38,0
17
65,4
3
11,5
26
16
7
22,6
-
-
15
48,4
9
29,0
31
17
6
27,3
-
-
13
59,1
3
13,6
22
18
3
12,0
-
-
18
72,0
4
16,0
25
19
3
15,0
-
-
12
60,0
5
25,0
20

 

Discussão: A fisiologia da gravidez mostra que neste período o organismo feminino passa por modificações que provocam adaptações em seu funcionamento , essas adaptações comuns ao processo gravídico são exacerbadas ao surgirem agravos. O fato de 57,1% das adolescentes se encontrarem na fase de resistência, mostra a gravidade do fato uma vez que é nesta fase que o organismo modifica sua homeostase e provocaalterações fisiológicas que causam o surgimento de sintomatologias, e até mesmo de patologias.

Conclusão: O estresse está presente na amostra estudada, em níveis que podem provocar patologias o que compromete uma gravidez saudável.

Referências

  1. Seyle H. The Stress of Life. 6 ed. New York: Mc Grraw Hill , 1978.
  2. Lipp M. Mecanismos Neuropsicofisiológicos do Stress: Teoria e Aplicação Clínica. São Paulo: Casa do Psicólogo, 2003
  3. Lipp M. Manual do inventário de sintomas de stress para adultos de (ISSL). São Paulo: Casa do Psicólogo. 2000.

Notícias